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Pesquisador quer punição a clubes em casos de racismo e pede maior posicionamento dos atletas

Marcelo Carvalho, do Observatório da Discriminação Racial no Futebol, reforçou a necessidade de a CBF realizar ações mais contundentes

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(Crédito: Paulo Fernandes/Vasco)
Marcelo Carvalho pediu ações mais contundentes da CBF (Crédito: Paulo Fernandes/Vasco)

por Pedro Ramos

Se o racismo está presente na sociedade brasileira, a realidade não é diferente no futebol nacional. Apesar de apresentar diferenças em relação aos casos de preconceito racial em gramados europeus, os estádios do país já reservaram dezenas de episódios de intolerância nos últimos anos. O pesquisador Marcelo Carvalho, do Observatório do Preconceito Racial no Futebol, avalia que a punição aos clubes em casos de xingamentos de conteúdo racista, vindos da arquibancada, é o melhor caminho para que os casos deixem de ser tão recorrentes.

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“Eu acho que deve punir o clube. Se ele é punido por um objeto atirado em campo, por que não puni-lo em um caso de racismo? A grande mudança que se deu nessa questão de objetos no gramado foi a punição aos clubes. Se hoje um torcedor arremessa algo, o restante da torcida identifica-o para que o clube não seja punido. Acho que o caminho é esse. Nos casos envolvendo torcida, temos um grande número de câmeras nos estádios. Então, é possível identificar, basta o clube querer e entregar para a Justiça”.

Criada em abril de 2014, a CBF promoveu a campanha Somos Iguais, após os casos de racismo ocorridos com os jogadores Tinga, do Cruzeiro, e Arouca, do Santos, e o árbitro da Federação Gaúcha de Futebol, Márcio Chagas da Silva, com o objetivo da conscientização e o repúdio sobre qualquer ato de preconceito,.

Ainda no fim de 2014, o presidente da Comissão de Arbitragem, Sérgio Correa, explicou que, quando o árbitro principal e os assistentes acessavam a sua escala de jogos no site da CBF, recebiam orientação para paralisar as partidas em que houvesse casos de racismo, avisando o delegado do duelo e chamando o policiamento para as devidas providências.

Em partida realizada na Arena do Grêmio, uma torcedora, que foi identificada, agrediu verbalmente o goleiro ao chamá-lo de macaco. No grupo, outros torcedores faziam ruídos do animal com o propósito de insultar o arqueiro. (Photo by Lucas Uebel/Getty Images)
Em partida realizada na Arena do Grêmio, em 2014, uma torcedora agrediu verbalmente o goleiro Aranha ao chamá-lo de macaco (Photo by Lucas Uebel/Getty Images)

Apesar disso, 37 casos de racismo ocorreram no futebol brasileiro, segundo relatório do Observatório de Discriminação Racial do Futebol. Marcelo Carvalho pediu ações mais contundentes da CBF.

“A CBF tem a campanha ‘Somos Iguais’, mas ela precisa ser mais efetiva. Desenvolver debate, ações em campo com atletas de posicionamento, pedindo que denuncie os casos. A mudança tem que ser aí. A CBF tem que ajudar os atletas para que eles trabalhem no combate ao racismo”.

Segundo Carvalho, também se faz importante um maior posicionamento dos atletas brasileiros quanto à questão racial.

“Acho que falta isso do atleta (maior posicionamento). Falta mais a sociedade apoiar esse atleta e entender que, quando ele reclama de racismo, ela não está se fazendo de vítima, só exigindo um direito seu. Precisamos estar do lado dos jogadores. Os clubes precisam fazer campanhas com seus atletas. Se o jogador fizer uma denúncia e ele ficar sozinho, fica complicado”.

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