Paixão Nacional

Desconstruindo mitos: Messi não joga tão bem por seu país? A Argentina é uma grande seleção?

Sem astro, Argentina tem desempenho pífio nas Eliminatórias (Foto: Daniel Jayo / Getty Images)

Por Igor Affonso

Por tudo que apresenta com a camisa do Barcelona, Lionel Messi é cobrado de forma congruente na seleção argentina. É comum ouvirmos, portanto, que o craque não se apresenta bem quando representa seu país, ou até mesmo que se esconde dos jogos e não decide a favor dos seus companheiros. Mas será que isso tudo é realmente verdade? O que este texto pretende é desconstruir alguns mitos que contaminam a opinião pública em relação ao melhor jogador de futebol do Planeta e a Argentina.

O desempenho do atleta com a camisa albiceleste está longe de ser ruim.. Messi atua muito bem com a Seleção. Os últimos vices, tanto de Copa do Mundo como de Copa América, criaram um estigma ao redor do jogador. Em todas estas competições, o desempenho dele foi fator preponderante para sua equipe alçar o status de finalista. A linha tênue entre o ganhar e o perder é cruel no mundo do futebol. Não fosse o gol de Gotze na prorrogação do Mundial de 2014, todos os julgamentos em cima do gênio argentino seriam antagônicos.

O grande X da questão neste caso é a exigência pelo mesmo brilhantismo exercido com o uniforme blaugrana, o que é desproporcional e covarde. E é por isso que precisamos desconstruir mais um mito: a de que a seleção argentina é fortíssima. Não é. Muitas das críticas em cima de Lionel Messi se dão pela lenda criada de que os Hermanos são um dos melhores do mundo. Porém, excelentes nomes não são sinônimo de grande time. Dunga e Tite estão aí para nos provar tal situação. Seja com Sabella, Tata Martino ou agora, com Edgardo Bauza (uma escolha, no mínimo, questionável), nossos vizinhos são retrato de desorganização, falta de coletividade e também de padrão tático. Que Messi resolva, por mais que não exista nenhum esquema desenhado para seu astro maior. 

Para dissecar um pouco melhor a discussão, quero usar pequenos exemplos, tais como Neymar. De vaiado e perseguido com Dunga a idolatrado e alçado como melhor do mundo com Tite. E até quando pensamos em sucesso absoluto em sua Seleção, que é o caso de Cristiano Ronaldo, devemos nos ponderar um pouco. O português conviveu com duras críticas de tabloides do país quando sua equipe esteve em risco de não se classificar para a Copa de 2014, o que foi amenizado com a participação decisiva do monstro na repescagem diante da Suécia. Entretanto, o mau desempenho no Mundial daquele ano abriu nova brecha para a imprensa local, que foi definitivamente extinta com a conquista da Eurocopa em 2016. Mas é bom frisar: hoje, Portugal é um bom time em razão de Fernando Santos, que assumiu em 2014, e transformou pouco talento em muito trabalho. Transformou qualidade em jogo coletivo e obediência.

Portanto, Messi não deve. Messi até entrega muito visto a terra arrasada que se tornou a seleção argentina e sua entidade maior, a AFA. A instituição, cada vez mais obscura e quebrada, é alvo até dos próprios atletas, que na Copa América do ano passado se posicionaram duramente diante das condições dadas pela Federação para o trabalho dos profissionais envolvidos na competição. No campo e bola,  é notório em muitas jogadas a falta de rapidez de raciocínio dos companheiros em relação ao seu capitão. Seja na tabela, na bola enfiada ou na bola que se deve enfiar. Coisas que lhe sobram no Barcelona, lhe faltam na Argentina. E, mesmo diante disso tudo, os números escancaram a importância do gênio e quanta diferença ele faz.

Nas Eliminatórias, entre lesões e suspensões, o pentacampeão da Bola de Ouro esteve ausente em oito jogos. No período, sua seleção conseguiu apenas uma vitória, quatro empates e três derrotas. Ou seja, sete dos 22 pontos na competição. Os outros 15 foram com Messi em campo. Em seis partidas, cinco triunfos e o revés para a seleção brasileira. 83% de aproveitamento com ele em campo. Sem ele, desempenho apenas acima de Bolívia e Venezuela, as duas últimas colocadas do torneio. Das seis oportunidades, quatro gols e duas assistências. Vitórias por 1 a 0 sobre Chile e Uruguai, com gol do camisa 10. Gol também no 2 a 0 frente à Bolívia, que também contou com jogada dele para o gol de Mercado. O show ficou para o desafio com os colombianos. Golaço de falta, assistência e inúmeras jogadas impressionantes.

Restam quatro partidas para o fim das Eliminatórias, e a condição da Argentina hoje é a repescagem. Messi foi suspenso pela Fifa por conduta antidesportiva na vitória sobre o Chile e só poderá voltar na última rodada. Tudo, mais uma vez, nas costas da estrela da companhia? Com Messi, desempenho de líder. Sem Messi, de desclassificado. Caberá a ele a salvação? Caberá a ele, novamente, ficar na já citada linha tênue, mesmo entregando mais do que é vendido?

Então Lionel Messi não joga bem na Seleção? 

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