Paixão Nacional

Rodrigo Caio joga limpo, Roberto de Andrade e Jô não

Corinthians parabenizou Rodrigo Caio por Fair Play (Reprodução/Instagram)

por Pietro Pelissari

Além da boa atuação do Corinthians na vitória por 2 a 0 diante do São Paulo no Morumbi, que encaminhou a classificação do Alvinegro à final do Campeonato Paulista, a atitude de Rodrigo Caio, ao isentar Jô de dar um pisão em Renan Ribeiro, anular o cartão amarelo dado ao atacante e consequentemente livrá-lo de uma suspensão no jogo de volta foi o destaque do final de semana.

Rodrigo Caio teve uma atitude nobre e provou que não é preciso vencer a qualquer custo, principalmente beneficiando-se de irregularidades ou equívocos durante o jogo. O zagueiro tricolor fez sua parte, ponto. Surpreende por conta do futebol ser um esporte em que “ser malandro” é permitido e, por vezes, exaltado. A repercussão positiva é válida, mas deveria ser desnecessária.

Desnecessária assim como foi a declaração do presidente Roberto de Andrade após o confronto. Justo ao elogiar o defensor são-paulino, porém hipócrita ao analisar arbitragem do trio Luiz Flávio de Oliveira, Danilo Ricardo Simon Manis e Miguel Caetano Ribeiro da Costa.

Em fevereiro deste ano, pelo mesmo Campeonato Paulista, o apitador Thiago Duarte Peixoto cometeu um erro gravíssimo ao expulsar Gabriel de forma equivocada do clássico entre Corinthians e Palmeiras. O mandatário corintiano soltou os cachorros e simplesmente exigiu o fim da carreira do juiz, que, arrependido pelo erro grotesco, chorou ao término da partida. “Chorou? Tem que chorar muito mais, tem que chorar a vida inteira”, disse Roberto de Andrade.

Pois bem. Hipócrita, o presidente do Timão, que pelo que atuou venceria o São Paulo de qualquer maneira, teceu elogios ao árbitro do Majestoso. Arbitragem essa extremamente criticada pelos jogadores do clube do Morumbi. Arbitragem que, no primeiro gol, do próprio Jô, errou ao não assinalar impedimento. Arbitragem que erra, inclusive, no lance mais emblemático do jogo, sendo salva pelo Rodrigo Caio.

Roberto de Andrade Poderia ficar quieto, não ficou. A hipocrisia não é exclusividade do cartola alvinegro, pelo contrário. Quando erros favorecem seu time, jamais você acusa o juiz ou os bandeirinhas com a mesma intensidade. Você foge do assunto. A própria imprensa, muitas vezes, sequer indaga com a mesma veemência quando os equívocos são contra. Pau que bate em Francisco não bate em Chico. Cobrar coerência é, geralmente, tarefa árdua.

O atacante Jô também não sai isento. Na primeira rodada do Paulistão o jogador admitiu ter dado uma “ajudinha” para cavar um pênalti diante do São Bento, que terminou com triunfo do Corinthians por 1 a 0. Perguntado se houve cavada, o camisa 7 disse. “Os dois um pouquinho, tem de ser sincero. Ele foi me puxando, vi que estava ficando sem força, ele me puxou até o final e acabei caindo. Mas foi indiscutível”. Indiscutível como, senhor Jô, se você mesmo admite que poderia ter ficado de pé e colaborou para a queda?

Carille, Rodriguinho, Cássio… todos deverão ser cobrados caso se favoreçam de lances irregulares e não admitam culpa. Rodrigo Caio dá uma aula de honestidade, veremos se os demais atletas (de Corinthians, São Paulo, Palmeiras, Santos…) aprenderão a lição ou apenas jogaram palavras ao vento para retribuir e exaltar a cordialidade do zagueiro. Retribuam com atitudes e não só com frases bonitas que o esporte, aí sim, sairá ganhando.


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