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Candidato à presidência, Bittencourt diz: 'Queremos fazer uma gestão de união'

Ex-vice de futebol do Fluminense conversou de maneira exclusiva com o Esporte Interativo e apresentou suas ideias em caso de sucesso no pleito

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(Foto: Bruno Haddad/ Fluminense)
Bittencourt já foi o homem forte do futebol do Fluminense (Foto: Bruno Haddad/ Fluminense)

por ÉROS MENDES

Candidato à presidência do Fluminense com a chapa “O Fluminense Me Domina”, tendo Ricardo Tenório como vice, Mário Bittencourt, antigo vice de futebol e advogado do Tricolor, abre a série de entrevistas especiais realizadas pelo Esporte Interativo. Vale ressaltar que as eleições no Fluminense acontecem no próximo sábado (26), nas Laranjeiras. Em conversa exclusiva, Bittencourt revelou quais são seus planos no caso de uma eventual gestão. Confira abaixo!

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Esporte Interativo: Você foi vice-presidente de futebol recentemente. Como é, agora, estar disputando a presidência com pessoas com as quais você trabalhou? Em caso de vitória, haverá mudanças na maneira de gerir o clube? Se sim, de um modo geral, quais seriam as principais?

Mário Bittencourt: A nossa chapa prega a união dos tricolores em prol de um Fluminense mais forte, bem estruturado, protagonista no futebol brasileiro. E, por isso, não estamos aqui para olhar para o passado, para ficar apontando o dedo. Já disse em outras entrevistas que, na primeira gestão, o atual presidente fez algumas coisas ótimas, outras de regulares para boas. Já a segunda gestão foi ruim, pois muita coisa não foi feita. Nós vamos mudar a maneira de gerir o clube, sim, com equilíbrio financeiro e desportivo.

Desde abril, promovemos reuniões com mais de 600 tricolores para saber as principais demandas deles e suas impressões sobre o Fluminense. Uma das principais mudanças que o torcedor quer é a defesa institucional. O Fluminense precisa ser mais bem representado diante dos outros clubes e das instituições. Outra mudança será a gestão profissional do futebol. Teremos o Parreira como consultor técnico e uma estrutura para fortalecer o departamento e, automaticamente, o elenco. Precisamos voltar a lutar por títulos, estar na Libertadores. Da mesma maneira como acreditamos que devemos potencializar Xerém. Para isso, entre outras coisas, teremos como obrigatoriedade o investimento de uma parte de toda venda de atleta do Fluminense para a sua base. Temos que realimentar o processo.

Vamos mudar também a governança corporativa, nada foi feito com relação a isso, não foi feita nenhuma reforma administrativa, não foi feito um plano de cargos e salários. Não foram feitas reformas no clube. É só dar uma volta pelo clube que vai ver que nada foi feito pelo patrimônio. Isso tudo é uma constatação, não é uma crítica, e certamente vamos fazer muita coisa diferente. Antes de qualquer coisa, queremos o melhor para o Fluminense. Todos somos Fluminense. Um presidente não governa para um determinado grupo político. Ele precisa governar para todos os tricolores.

Esporte Interativo: Na oficialização da candidatura, você afirmou que tem a intenção de construir um ginásio poliesportivo na sede das Laranjeiras. Além desse plano, quais são as outras ideias para os esportes olímpicos?

 

Mário Bittencourt: Com relação aos esportes olímpicos, além de darmos atenção às instalações do clube que, como acabei de responder acima, não receberam o devido cuidado nos últimos anos, temos que revitalizar as modalidades. Temos que fazer que o Fluminense volte a ser competitivo nestes esportes. E podemos fazer muita coisa com a Lei de Incentivo ao Esporte. O caminho para resgatar nossa riquíssima história nos Olímpicos é esse.

Mário Bittencourt no evento de lançamento da candidatura (Foto: Éros Mendes/Esporte Interativo)
Mário Bittencourt no evento de lançamento da candidatura (Foto: Éros Mendes/Esporte Interativo)

Esporte Interativo: Em relação a Xerém, no lançamento da candidatura, houve a afirmação, de que, numa eventual gestão, todo dinheiro de negociações envolvendo jogadores da base, terá que ser reinvestido no Centro de Treinamento Vale das Laranjeiras. Além dessa ideia, quais seriam os outros pontos para manter a tradição do Fluminense em revelar atletas? O projeto Flu-Samorin será mantido?

Mário Bittencourt: Queremos tornar obrigatório que parte da verba arrecadada em vendas de atletas sejam reinvestidas em Xerém. Precisamos que isso esteja garantido para reabastecer a nossa fonte. Xerém é uma fábrica de talentos e acreditamos que podemos melhorar ainda mais esse processo com independência operacional, mais investimento no setor de captação de talentos, maior integração com o futsal, entre outras coisas.

Queremos também deixar Xerém com uma estrutura moderna, igual a que o time profissional terá no CT da Barra. E a aprovação de um projeto baseado na Lei de Incentivo ao Esporte é o caminho. Desta maneira, conseguiremos dar subsídio para que os profissionais da nossa base consigam melhorar o seu já excelente trabalho.

Agora, precisamos lembrar uma coisa muito importante. A base precisa ser trabalhada em duas vertentes: a manutenção e a venda de atletas. Queremos que os que têm potencial de serem grandes jogadores, ídolos do Fluminense, permaneçam. Os de nível médio, precisamos negociar para ter o giro que o clube precisa. Só que nem sempre dependerá da nossa vontade. Lutaremos muito para manter nossas joias, mas dependemos também da vontade do atleta.

Já sobre o projeto Samorin, precisamos, primeiro, pagá-lo. Não sabemos quanto falta para o Fluminense pagar pela compra do clube. A partir daí, devemos aprimorá-lo, estendendo a experiência a mais jogadores, não só para os que estão lá. Queremos que a maior quantidade de atletas possível que puder crescer taticamente, intelectualmente e culturalmente, melhor. Essa relação com o futebol europeu pode dar essa experiência importante para os nossos jogadores e devemos aproveitar.

Esporte Interativo: Em caso de sucesso no pleito, Carlos Alberto Parreira voltará ao Fluminense em um cargo de consultor de futebol. Qual é a importância de ter alguém identificado com o clube para cuidar do carro chefe da instituição?

 

Mário Bittencourt: Como já disse, queremos fazer uma gestão de união, contando com todos os tricolores que queiram um Fluminense protagonista. E isso passa por escolhermos os responsáveis pelas áreas por sua competência. O Parreira é um profissional incrível, com uma carreira extremamente vitoriosa, e abraçou a nossa causa. Ele será nosso consultor técnico, ligado diretamente à equipe de governança que criaremos para gerir o clube, o futebol. Acreditamos muito nesse modelo, pois temos que profissionalizar ainda mais o departamento. E podemos falar bem sobre o futebol, pois fui vice-presidente e o Tenório também. Sabemos da necessidade do Fluminense nessa área e queremos contar com um time de profissionais que leve o clube a grandes títulos. O Parreira nos ajudará com toda a parte estratégica, com liberdade e poder para tomar decisões.

Esporte Interativo: Em relação ao estádio e ao novo Centro de Treinamento, na Barra da Tijuca, quais são as projeções neste sentido? Sabemos que o Memorando de Entendimentos para a compra do terreno já foi assinado. No entanto, acredita que seria viável iniciar as obras em um eventual mandato ou este é um processo que demoraria a sair, de fato, do papel? Por fim, ainda dentro desse contexto, como ficaria a relação com o Maracanã?

 

Mário Bittencourt:  O Pedro Antonio fez e está fazendo um grande trabalho na construção do centro de treinamento do Fluminense. Isso precisa ser dito por todos os tricolores. Temos que reconhecer sua importância nessa conquista. Vamos concluir o CT na próxima gestão e temos que pagá-lo. O futebol profissional terá sua casa, com mais estrutura e liberdade, abrindo a chance de utilizarmos a estrutura das Laranjeiras para jogos da base, futebol feminino. Ter o CT é fundamental, imprescindível, mas não iremos abandonar o gramado das Laranjeiras e temos muitos projetos sobre essa utilização.

Sobre o Estádio, não seríamos levianos em apresentar apenas um sonho para os tricolores. Justamente por isso, antes de tudo, contratamos um estudo de viabilidade. Temos um documento onde o clube pode exercer a prioridade de compra em um terreno na Barra da Tijuca, diferente do que foi divulgado pelo candidato da situação. Este terreno é desembaraçado e o Fluminense poderia começar a construir o estádio agora, se pudesse ou tivesse investidores e parceiros. Fizemos ainda um projeto arquitetônico com um dos maiores escritórios do país, responsável por várias arenas feitas para a Copa de 2014. E tudo foi feito para o Fluminense, não apenas para ser utilizado caso sejamos eleitos.

Ter nosso estádio próprio é viável. Não será simples nem fácil. Justamente por isso, fizemos o estudo de viabilidade antes de divulgarmos o projeto. O clube precisará de investidores, parceiros, para tirar tudo do papel. E trabalharemos muito para isso, sem esquecer do Maracanã.

Nunca descartamos a casa de nossas maiores conquistas. Mas precisamos avaliar como ficará a situação do Maracanã. O Fluminense possui contrato com o Consórcio Maracanã, mas eles estão devolvendo a concessão para o Estado. Acreditamos que, com isso, o clube precisa mostrar sua força, seu protagonismo, garantindo o melhor contrato possível para utilizar o Maracanã. Precisaremos de uma casa durante o processo de construção de nosso estádio. Depois, esporadicamente, poderíamos continuar a mandar jogos lá, mas privilegiando sempre nosso estádio. Afinal, nenhum investidor ou parceiro entraria no projeto se a Arena não for ser utilizada.

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