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Estudioso, 'fitness', motivador e família: conheça o técnico Jair Ventura fora do futebol

Em entrevista ao portal do Esporte Interativo, o ex-auxiliar respondeu sobre tudo, inclusive, a demissão em 2014, pela antiga diretoria do Botafogo

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por Venê Casagrande

Jair Ventura se destaca no comando do Botafogo (Foto: Vitor Silva/SS Silva/SS Press)
Jair Ventura se destaca no comando do Botafogo (Foto: Vitor Silva/SS Silva/SS Press)

Que Jair Ventura vive uma grande fase no comando do Botafogo não é novidade para ninguém. Porém, o treinador, que tem 37 anos – o mais jovem dentre os treinadores da Série A – precisou ter muita paciência para chegar onde está. Há 11 anos, o comandante iniciava o seu primeiro curso para se aperfeiçoar e, desde então, esperava a primeira oportunidade para mostrar que tem capacidade.

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Com muita irreverência e simpatia, Jair Ventura concedeu entrevista exclusiva ao portal do Esporte Interativo. Sem se omitir, o jovem treinador falou sobre tudo, inclusive, comentou o pior momento da sua vida: o tempo afastado do Botafogo, em 2014, na gestão do ex-presidente Maurício Assumpção.

Motivação. Seria essa a palavra para te definir nesse momento?

Acho que assumir um clube da magnitude do Botafogo, da grandeza desse clube, é a motivação para trabalhar todos os dias. Eu acordo feliz, motivado, por fazer parte dessa grande instituição. Ser treinador desse clube é incrível. Milhões de pessoas acompanhando o nosso trabalho, e a tendência é que a motivação aumente com o passar do tempo.

Como você enxerga essa renovação de treinadores?

Fico muito feliz. Quando você começa a carreira de treinador cedo, como é o meu caso, automaticamente você tem mais tempo de trabalho. Fico feliz por estar iniciando ainda jovem , mas ao mesmo tempo são 11 anos de preparação. Há 11 anos comecei o meu primeiro curso de treinador. Então, ao mesmo tempo que sou jovem, as coisas não aconteceram de repente. Aconteceu de uma maneira natural. Fico feliz por estar começando jovem ainda.

Gosta de assistir ao futebol internacional?

Costumo assistir, sim. Claro que nessa correria que estou fica mais difícil. Seria mentira falar que assisto todos os campeonatos da Europa, pois não tenho tempo. Hoje estou devendo (risos). Há uns dois meses que não paro com calma para acompanhar os campeonatos europeus. Agora estou voltado para o Brasileiro.

Como se prepara para encarar os adversários?

Gosto muito de estudar os nossos adversários. Assisto de três a quatro jogos dos adversários para me preparar da melhor maneira possível. Vejo o nosso jogo para perceber o que tem que melhorar e o que deve ser mantido.

Nesses 11 anos de preparação, quando se sentiu preparado para ser técnico?

Então, em 2010, eu cheguei a ser interino… Então pensei que poderia ser ali, na minha cabeça já estava preparado. É lógico que a gente evolui a cada ano. Ano passado fiquei interino novamente, fiquei esperando a oportunidade e não aconteceu. Mas são aprendizados. Foi tudo natural, não foi um choque para mim.

Jair Ventura durante curso na Seleção (Foto: Site Oficial Botafogo)
Jair Ventura durante curso na Seleção (Foto: Site Oficial Botafogo)

Desapontado por não ter sido escolhido em 2015?

Não, de forma alguma. Entendi que Deus faz tudo na hora certa, né. Fiquei feliz de ter ajudado naquele momento. Quando fiquei de interino na saída de Renê Simões, nós tínhamos quatro times na liderança da Série B, e eu tinha uma meta: devolver para o futuro treinador, o Botafogo ainda na liderança. E eu consegui. Gosto de traçar metas.

Em qual treinador que você tenha trabalhado, você se espelha?

Trabalhei com muitos diferenciados. E aprendi um pouco com todos eles. Sou um eterno aprendiz. Acho que a pessoa que acha que sabe tudo, vai estagnar na vida, não vai evoluir. Esse é o Jair Ventura. Aprendi muita coisa com todos eles que trabalhei no Botafogo. Eu aprendo não só com os treinadores, aprendo com todos os funcionários.

Já passou alguns nomes que possam reforçar o Botafogo em 2017?

Não. Estou focado ainda no objetivo da permanência na Série A. Ainda não conversamos sobre o próximo ano.

E o Keno. O Esporte Interativo deu, em primeira a mão, a notícia que o Botafogo negocia com o atacante. Te agrada?

Eu acho que, todo jogador que vem fazendo uma boa competição, está na mira dos grandes clubes. O Keno é um bom jogador, que tem facilidade de quebra de linha de marcação, uma boa recomposição. É um jogador que me agrada bastante, mas no Botafogo, essa parte de contratação, temos o Antônio Lopes, ele trabalha nessa parte. É um jogador que me agrada bastante.

Como está a relação com Ricardo Gomes?

Essa semana ele me mandou mensagem no Whatsapp me dando os parabéns. O Ricardo é um ser humano fantástico, né.  Ele é um gentleman, como a gente costuma falar. É um amigo que vou levar para o resto da vida. Ficamos um ano trabalhando juntos. Tive a oportunidade de participar do retorno dele ao futebol. Fiquei desempregado um período e sei o quanto ele sofreu por estar longe do futebol. Fico feliz demais por ele estar trabalhando no futebol.

Como foi ser demitido em 2014 pela antiga diretoria do Botafogo?

Foi difícil pela maneira que foi. Quando você leva o time para a Libertadores depois de 18 anos, participa diretamente nesse trabalho e no final do ano você é demitido, é sinal que tem algo de errado. No futebol, quando você perde, é normal ter a reformulação, mas comigo foi ao contrário. A gente fez um grande ano e aconteceu o que aconteceu… Todo mundo foi mandado embora e, 2014 responde por si só, né. Fico triste por não ter ajudado o Botafogo nesse período. Sofri muito, por ter muitos amigos. Mas ao mesmo tempo, a pessoa que me mandou embora acabou mostrando o que aconteceu, né?

Jair Ventura ao lado do holandês Seedorf (Foto: Site oficial Botafogo)
Jair Ventura ao lado do holandês Seedorf (Foto: Site oficial Botafogo)

Guarda rancor?

Não, rancor, não. A pessoa que não deve ter gostado muito, né?! Mas é isso. Na vida é assim. Vamos seguindo, bola para frente, isso é passado.

Boa safra no time Sub-20 do Botafogo?

Com certeza. O Botafogo vem crescendo bastante nesse quesito. Está tendo uma integração muito boa com o profissional. Fico feliz por ter treinado o Sassá na base, do Vitinho… A última grande venda do Botafogo. Então, vem bons jogadores aí pela frente. Antes que você me pergunte, não vou adiantar os nomes. Eu entendo a cabeça deles (jovens jogadores), se eu falar um nome aqui, os outros podem ficar com ciúmes. Estou olhando com carinho para todos. Depende da nossa carência. Tem que ter calma, para não queimar etapas.

Diego está mais motivado?

Melhor, melhor. Ele entende que teve a oportunidade. Se eu sair hoje ou amanhã, você que acompanha o meu dia a dia, sabe que dou oportunidades. Todo grupo já teve a sua oportunidade. Eles sabem que eu trabalho com meritocracia. Ele (Diego) teve a oportunidade, enfim, acabou não agarrando. Chegou o Alemão agora, é a vez dele. Ninguém está garantido no cargo. O Diego vem treinando muito bem e, quem sabe, futuramente, tenha a chance novamente.

Diego perdeu espaço com o técnico Jair Ventura (Foto: Vitor Silva/SS Press/Botafogo)
Diego perdeu espaço com o técnico Jair Ventura (Foto: Vitor Silva/SS Press/Botafogo)

 

Quer contar com Luis Henrique em 2017?

Ele teve a oportunidade dele também. É jovem, tem que ter paciência. Forte, finaliza bem, mas é um menino, tem 18 anos. Vai ser um grande jogador e pode ajudar bastante o time.

Depois que se tornou treinador, a relação com a família ficou afetada?

Nada disso (risos). Todo mundo muito feliz, todos contentes, me apoiando. Espero que essa alegria dure bastante tempo ainda.

Jair Ventura com a família após o jogo diante do Corinthians (Foto: Venê Casagrande)
Jair Ventura com a família após o jogo diante do Corinthians (Foto: Venê Casagrande)

Como é o Jair fora do futebol?

Uma pessoa normal, assisto futebol, adoro ir à academia. Vou quase que diariamente. Lá eu trabalho com o corpo, também, né. Muito importante. Sou professor de educação física e sei da importância do corpo também. Não posso deixar o trabalho me consumir. Sempre que faço um aeróbico penso em tudo. Escuto uma música para relaxar. Uma vida normal de um cara de 37 anos (risos).


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