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Fred alfineta Siemsen e explica saída do Flu: 'Processo de fritura por parte da diretoria'

Atacante, que hoje está no Atlético-MG, revelou detalhes dos seus últimos meses no Tricolor e também comentou sobre os problemas que teve com Levir

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Fred anotou seu sexto gol no Brasileiro, mas vai ficar fora do duelo contra o Flamengo (Foto: Bruno Cantini/CAM)
Fred é o artilheiro do Brasileirão pelo Galo (Foto: Bruno Cantini/CAM)

Na véspera das eleições presidenciais no Fluminense, o atacante Fred, hoje no Atlético-MG, deu declarações um tanto quanto polêmicas. Em entrevista ao Globoesporte.com, o centroavante fez uma avaliação da temporada e também explicou o porquê de sua saída do Tricolor, em junho deste ano.

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Para ele, houve um processo de fritura de sua imagem por parte da diretoria do Flu e do presidente Peter Siemsen, fato que, segundo o jogador, ficou claro depois da chegada do técnico Levir Culpi, com quem teve problemas à época.

“A verdade é uma só. Nos últimos meses que estava no clube, percebi que se iniciou um processo de fritura da minha pessoa por parte da diretoria do Fluminense. Vi que começou a vazar muitas informações a respeito do meu salário, que minha permanência no clube estava inviabilizando a conclusão das obras do novo CT…

Então, percebi todo esse cenário que estava sendo desenhado contra mim e procurei o presidente. Eu disse: “Peter, o Fluminense é minha segunda casa, meu sentimento é de gratidão, devo muito a esse clube. As maiores alegrias que tive na minha carreira foram aqui, o momento mais difícil que passei no futebol, foi o Fluminense que me acolheu de uma forma que ninguém mais faria. Por isso, quando achar que sou um peso financeiro, peço para me procurar”. E não deu outra. Ele procurou meu representante e disse com todas as letras que ele poderia buscar qualquer situação para eu sair, porque estava sendo um peso após a saída do antigo patrocinador e pela suposta dificuldade da Frescatto em honrar a parte que lhe cabia do meu salário. Abriu-se a possibilidade de eu ser liberado até de graça, principalmente se fosse para o exterior.

Recebi essa notícia com certa tristeza, mas estava decidido que, quando ouvisse isso da diretoria, buscaria o meu caminho. Pouco tempo depois, o Levir Culpi assumiu e, coincidência ou não, senti ali que o processo de fritura se intensificou. A sensação que eu tive foi de que aquela situação era algo premeditado. Na primeira oportunidade que teve, o presidente do Fluminense aceitou até mesmo me envolver numa troca de jogadores com o São Paulo. A negociação foi aberta e por muito pouco eu não fui pra lá. Na última hora, a transação não se concretizou porque minha única condição era sair em definitivo. Eu não aceitaria ser emprestado para outro clube por puro capricho do presidente e correr o risco de manchar minha história no Fluminense. Enfim, depois de todo esse tempo, houve interesse concreto do Atlético-MG na minha contratação e, apesar de conturbada, o desfecho da transação se deu muito rápido.

A essa altura, eu também já estava muito chateado com a diretoria do Fluminense por todo o desgaste que foi gerado. O Fluminense fez investimentos infinitamente superiores, com valores de salários e aquisições de direitos econômicos, que superaram de muito longe os meus custos para o clube. Admito que também já não tinha mais força para seguir lutando contra aquilo. Então, cedi e concordei.
Mas Deus é tão bom em minha vida que uma situação que eu nunca tinha imaginado… o que parecia ser o fim se tornou um novo começo. Achava que não teria em outro lugar a mesma felicidade e o mesmo prazer que tinha de jogar no Fluminense, mas consegui encontrar aqui no Galo, no convívio do dia a dia no clube, mas principalmente na torcida, uma alegria tão grande quanto a que tinha no Rio”.

Fred marcou época no Fluminense (Foto: Nelson Perez/ FFC)
Fred marcou época no Fluminense (Foto: Nelson Perez/ FFC)

Fred também detalhou os problemas que teve com o técnico Levir Culpi. Porém, o antigo jogador tricolor afirmou que conversou recentemente com o comandante e as desavenças já foram superadas. No fim, o goleador alfinetou Peter Siemsen, dizendo que Levir, após ter deixado o clube carioca, também deve ter se sentido enganado pelo mandatário.

“Não serei hipócrita em falar que não houve nenhum problema, mas também garanto que já está tudo resolvido entre eu e ele. Após todos os fatos, sentamos frente a frente e resolvemos todas as nossas diferenças. O Levir é um treinador que sempre admirei, desde a primeira vez que trabalhei com ele, ainda no Cruzeiro.

Todas as vezes que o nome do Levir surgiu como uma possibilidade no Fluminense, fiquei muito feliz, porque tinha certeza que viria um grande treinador pra nos comandar. Para minha surpresa, ele chegou questionando minha conduta desde o começo, e eu não concordei. Por isso tivemos aquele problema. A gota d’água foi quando, numa roda durante um treinamento perante todo o grupo, ele quis dizer que eu desrespeitei o Scarpa por conta da forma que o cobrei dentro de campo. Eu também tenho minha personalidade e não admiti que ele colocasse sete anos de história, de muita dedicação e conquistas em cheque por uma situação que não fazia o menor sentido. Sempre tive um carinho enorme pela molecada de Xerém, sempre protegi, algumas vezes até mais do que deveria. Quem acompanhou minha história no Fluminense já me viu inúmeras vezes me emocionar com gols, com a ascensão desses garotos, porque sempre enxerguei neles o passado difícil que tive. Então, queria que eles não sofressem o tanto que sofri pra chegar onde cheguei. Meu objetivo sempre foi ser um atalho pra eles, por isso não poderia concordar com uma afirmação que não tinha absolutamente nada a ver com a realidade. Mas, como disse, quando tivemos uma conversa de homem para homem, tudo isso ficou claro. E o meu respeito e a minha admiração pelo Levir permanecem intactos. Acredito que, hoje, mesmo com toda sua experiência, o Levir também deve ter percebido que ele foi enganado pelo Peter; as declarações dadas por ele após a sua saída deixaram claro isso”.

Fred explicou problemas que teve com Levir Culpi (Foto: Nelson Perez/ FFC)
Fred explicou problemas que teve com Levir Culpi (Foto: Nelson Perez/ FFC)

Por fim, o centroavante esclareceu que a decisão de acertar com o Atlético-MG não foi por questões financeiras, já que outros clubes acenaram com acordos superiores em relação aos salários, mas pesou o que já havia sido acordado entre o estafe de Fred e Daniel Nepomuceno, mesmo que, segundo o atleta, essa não fosse a vontade de Peter Siemsen.

“Quero deixar muito claro que a minha decisão não foi financeira. Eu ganho exatamente a mesma coisa que ganhava no Fluminense, nem um centavo a mais. Inclusive, tive propostas maiores, que considerei oportunistas na ocasião. No meio da negociação com o Atlético, outro clube tentou atravessar oferecendo mais dinheiro para mim e para o Fluminense, e foi aí que o Peter resolveu, por conta própria, suspender as negociações com o Atlético. Quando eu e meus representantes tomamos conhecimento disso, nós nos posicionamos de uma maneira muito firme e exigimos que o Peter fosse correto e honrasse o que havia sido acordado verbalmente com o Daniel Nepomuceno, presidente do Atlético-MG. Nem a gente pediria nada além do que havia sido combinado e, da mesma forma, ele não fugiria do que havia sido pré-acordado. Para quem propôs me liberar de graça no início do ano, encarei como oportunismo essa atitude, conduta que eu não concordo e não aceitei. A essa altura da negociação, o Peter havia alcançado seu objetivo inicial: eu já estava cansado e determinado a sair do clube. Todo esse processo me surpreendeu muito porque, por diversas vezes, o Peter me tratou publicamente como um dos maiores ídolos da história do Fluminense”.

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