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Marcelinho revela atrito de Romário com melhor técnico do mundo: ‘Não sou jogador de basquete’

Claudio Ranieri comandou o Pé de Anjo e o Baixinho há 20 anos, no Valencia-ESP

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Marcelinho disputou apenas cinco jogos oficiais pelo Valencia (Foto: Adhil Rangel/CON/Getty Images)
Marcelinho disputou apenas cinco jogos oficiais pelo Valencia (Foto: Adhil Rangel/CON/Getty Images)

por Rafael Serra

Há duas décadas, um dos maiores ídolos da história corintiana se despedia do Alvinegro em busca de prestígio internacional. Não era por menos. Seu fino trato com a bola era visto como uma evidência indubitável de que o sucesso no Velho Continente era apenas uma questão de tempo. Muitos acreditam que isso não aconteceu. O Pé de Anjo, no entanto, prefere ver o copo meio cheio.

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“Não acho que minha passagem pela Europa não tenha dado certo. A verdade é a seguinte: quando eu fui para o Valencia, eu fiz um contrato maravilhoso, de cinco anos e ganhei os 15% que eu tinha direito. Só que, poucos meses depois que cheguei, recebi uma proposta do saudoso Farah (Eduardo José Farah, então presidente da Federação Paulista de Futebol), que me ofereceu os mesmos cinco anos de contrato e o mesmo salário para que eu voltasse para o Brasil. O dólar, na época, valia o mesmo que o real e, ainda por cima, estávamos perto da Copa do Mundo de 1998. Eu teria mais visibilidade se eu retornasse. Além disso, a fase do nosso time não estava tão boa, apesar do ataque ser eu, o Romário e o Ortega. Mesmo o contrato sendo com o Farah, eu estava confiante de que eu voltaria para jogar no Corinthians”, o que, de fato, aconteceu após o famoso Disk-Marcelinho, promoção organizada pela FPF para que os torcedores decidissem, por meio de uma enquete feita por telefonemas, em qual clube o Pé de Anjo jogaria em 1998.

Confusão resulta na chegada de Ranieri

Em seu curto período na Espanha, Marcelinho foi comandado por dois nomes muito conhecidos pelos amantes do futebol: Jorge Valdano e o atual melhor técnico do mundo, Claudio Ranieri. O primeiro, foi sacado pouco tempo após a chegada do Pé de Anjo, muito pelos maus resultados do Valencia-ESP no início da temporada 97/98 e também por uma lambança que envolveu diretamente o recém-chegado meio-campista brasileiro.

Na derrota para o Racing Santander, na terceira rodada daquele Campeonato Espanhol, Valdano decidiu colocar Marcelinho em campo e tirar um zagueiro, já que o adversário tinha um jogador a menos devido a uma expulsão. No entanto, naquela época apenas quatro jogadores não europeus poderiam estar em campo em jogos do Campeonato Espanhol e o escolhido pelo treinador foi Fernando Cáceres, nascido na Argentina, mas que contava com a cidadania espanhola. Percebendo o grave erro e sem mais nenhuma substituição disponível, restou a Valdano sacar o sérvio Djukic para evitar uma punição posterior, mas ficando, também, com um jogador a menos em campo. A epopeia acabou resultando na demissão do argentino e na chegada do italiano Claudio Ranieri, que tinha um estilo de treinamentos totalmente diferente de seu antecessor.

“O meu relacionamento com o Ranieri era muito bom, era um cara muito educado. Mas com o grupo ele não tinha muita autonomia, não tinha a liderança nas mãos. Tudo isso porque ele tinha um estilo que não agradava aos líderes do grupo, muito pelos métodos de treinamentos. Por exemplo: chegava no treino, naquele gramado aparadinho, perfeito, e em vez de ele fazer um treino tático de ataque contra defesa, que era o comum para aquela época, ele fazia muitos trabalhos de arremesso, fazia muito treinamento tático com as mãos. Isso irritou o Ortega, irritou o Romário e eles até brincavam: ‘Eu não jogo basquete, eu jogo futebol, e futebol é com os pés’. Mas creio que nesses 20 anos ele mudou muito, ele aprendeu muito até ser campeão inglês. Tudo isso serviu de experiência”.

Demissão de Ranieri no Leicester

Questionado se Ranieri foi alvo de um complô por parte do elenco do Leicester-ING, Marcelinho foi enfático ao descartar esta possibilidade.

“Não acredito nisso. Ele fez o impossível, o improvável, então não acredito que tenha faltado respeito dos jogadores com ele. Eles não fariam isso. Eu assisti a muitos jogos do Leicester nesta campanha do título e percebi como o elenco se comportava, o que os jogadores falavam dele, até sobre os métodos de treinamento. Ele evoluiu muito de 1997 para cá. Antes ele era muito duro, muito incisivo no jeito de trabalhar. Acredito que a queda de rendimento da equipe é normal após uma temporada tão fantástica como foi a do ano passado e, como sempre, acaba sobrando pro treinador”.

O Poderoso Chefão

Se Ranieri, em seu início no Valencia-ESP, tinha dificuldade para ter o elenco nas mãos, o mesmo não acontecia com Romário. O baixinho era uma espécie de Poderoso Chefão no elenco blanquinegro. A autoridade do camisa 11 desafiava até algumas lendas do futebol espanhol, como o goleiro Andoni Zubizarreta.

“A gente foi fazer pré-temporada na Holanda e eu queria treinar faltas. Como ninguém me conhecia e eu não tinha muita moral com o grupo, pedi para o Zubizarreta ficar no gol, mas ele não quis. O medalhão iria pro gol para o novato treinar? Nessa altura, o Romário já tinha chegado (das férias após o título da Copa América), aliás, tinha acabado de chegar. Aí quando o Baixinho ficou sabendo que o Zubi tinha se recusado a treinar faltas comigo, ele logo disse: ‘Ah, ele não quer? Você vai ver ele querer’, e já assobiou e chamou: ‘Zubi, vai lá pro gol que eu quero treinar umas faltas aqui com o Marcelinho’. Nisso, ele já foi colocando as luvas, rapidinho. Aí eu aproveitei a chance e pedi pra bater primeiro. Meti logo um arco no canto e fiz o primeiro. Bati a outra por cima da barreira e gol. Na terceira, eu bati de novo, por cima da barreira, e fiz outra vez. O Zubizarreta ficou um pouco espantado e quando foi a vez do Romário ir pra bola, ele fingiu que sentiu uma fisgada, deu uma risada e me disse: ‘Agora chega, né, Peixe? Já fez os gols que você queria fazer’. Eu fiquei com receio do Zubizarreta ficar bravo comigo depois daquilo, mas o Romário disse: ‘Fica tranquilo, ele tem que aprender a respeitar as pessoas. Eu sou o seu padrinho aqui’”, concluiu Marcelinho, sem esconder sua gratidão.


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