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A outra face de Thomas Tuchel

De tranquilo e sempre solícito, o técnico do Borussia Dortmund se revela um mal perdedor e sinais de que não veio para agregar 

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SHENZHEN, CHINA - JULY 27: Thomas Tuchel, head coach of Dortmund looks on during team training session for 2016 International Champions Cup match between Manchester City and Borussia Dortmund at Shenzhen Universiade Stadium on July 27, 2016 in Shenzhen, China. (Photo by Lintao Zhang/Getty Images)
(Foto: Getty Images)

Por Fátima Lacerda*

Quando o técnico, vindo do Mainz 05, assumiu o comando do BVB e herdou pesada herança de Jürgen Klopp, carismático e queridinho da mídia, a imprensa não dava nada pelo magrelo de olhos fundos, postura sempre tranquila, nada chegado à polêmicas e que sempre se mostrava solícito com os adversários e, para o desespero dos torcedores, mesmo depois de acabar de sair derrotado do campo. Essa característica se fazia ainda mais dolorosa para o torcedor depois de uma derrota contra o time bávaro. Pep Guardiola, o brilhante estratégico perfeccionista é um dos heróis alistados na longa lista de Thomas Tuchel.

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Guardiola se foi e torcedores do Borussia, não só eles, se sentem aliviados pela ida do egocêntrico e amuado para o Manchester City. Entretanto, a última semana trouxe à tona um lado de Tuchel até então desconhecido pelos torcedores e pela mídia esportiva.

Depois da partida, da qual o Borussia Dortmund saiu derrotado por 2×0 pelo Bayer Leverkusen no domingo (2), Tuchel esbravejou nos microfones da coletiva criticando a mentalidade violenta do clube da BASF. A saia ficou justíssima entre Roger Schmidt, técnico do Leverkusen, e Tuchel.

Eu acho que o jogo foi muito justo. Não vi nenhuma falta grave em nenhum dos dois lados. O juiz que tem que decidir se foi falta ou não foi falta. Decerto que fizemos uma ou duas faltas a mais, porém não acho que o juiz deveria ter marcado todas as faltas. Vejo o jogo como muito equilibrado para os dois lados”, declarou Roger, o primeiro a se posicionar frente aos jornalistas.

Sem delongas e sem ser solicitado pelo mediador, como de praxe em coletivas, Tuchel, focou olhar somente nos jornalistas, ignorando por completo seu colega, como se ele não estivesse ali. Não há nada mais grave em termos de conduta na Alemanha como você ignorar por completo uma pessoa, a descreditando, no caso de Tuchel, publicamente. Um jogo justo, diz o técnico do time com 21 faltas para o treinador do time com 7, e ainda filosofou: Eu tenho uma outra ideia sobre isso (jogo justo). Já é a terceira vez que temos que sofrer pra mais de 20 faltas e trocar jogadores contundidos no intervalo, declarou, visivelmente inconformado.

Inusitadamente, Tuchel focou sua crítica na violência do Bayer, mas em nenhum momento criticou o juiz ou fez qualquer menção a ele.  Com um olhar de quem está com o sapo na garganta, Tuchel provocou: Eu não vi um jogo com clara dominância de 35% de posse de bola e 21 faltas. Eu vi outro jogo.

Desdenhando do mediador em certo ponto da coletiva, Schmidt, não deixando nada barato, ironizou: Pode ser também que o BVB seja craque em provocar faltas. O time faz isso de forma muito inteligente. Além disso, posse de bola não garante a dominância do jogo e isso pode-se ver hoje muito bem. Xeque-mate.

Como se não bastasse a péssima impressão e a falta de profissionalidade que o técnico do BVB deixou no ar, Stefan Bell, atleta do Mainz 05, ex-clube treinado por Tuchel, jogando mais fogo na lenha, alfinetou: Nós todos conhecemos Tuchel. Ele não sabe perder. Talvez uma injustiça tenha acontecido, no papel, mas isso é um instrumento para gerar insegurança no clube de Dortmund.

Bandeira pouca é bobagem

Enquanto no dia 03, a Alemanha ainda hibernava num feriadão que comemorou os 26 anos de unificação, a revista kicker divulgava que, há meses existem diferenças intransponíveis entre Tuchel e o olheiro do Borussia, Sven Mislintat (Chefscout, em alemão).

Segundo o jornal Süddeutsche Zeitung, em artigo publicado dia 04/10, Tuchel teria proibido o olheiro de assistir ao treinamento do time. Com isso, ele cutucou a cobra com vara curta e se direcionou para uma rua sem saída.

Além de gozar de über-credibilidade dentro do clube, outros concorrentes como o FC Bayern e o Hamburgo HSV estão de olho em Mislintat, aquele que tem faro excepcional caracterizado pela astúcia do momento de fisgar os novos talentos. Quando os outros clubes mostram interesse, o contrato já está assinado com o Borussia. Foi assim com Raphaël Guerreiro e Ousmane Dembélé na recente temporada e com Aubameyang e Kagawa em temporadas passadas.  Segundo fontes do jornal Süddeutsche Zeitung, as diferenças surgiram já no início do ano e tem a ver com a contratação do madrilenho Oliver Torres que, no último momento, acabou não acontecendo. Essa disputa veio à tona da mídia esportiva sem um motivo aparente. Por outro lado, a má impressão deixada por Tuchel depois da partida contra o Leverkusen pode ter sido o motivo.

Na geladeira

Milinstag e Tuchel não se falam. Porém, a convivência entre Tuchel e Michael Zorc, diretor esportivo, é ótima, assim como a de Zorc com Milinstat. Tanto que, segundo notícias veiculadas na mídia esportiva, Mislintat está prestes a ser promovido dentro do clube (provavelmente para evitar uma saída para a concorrência) e terá mais influência nas decisões de contratação. Mesmo que o olheiro, na hierarquia, não esteja subordinado ao técnico do time, mas, sim, ao diretor esportivo, parece que a cobra já está fumando dentro da sede do BVB e isso só pode prejudicar o clima na equipe de jogadores.

Em pouco menos de uma semana, Tuchel mostrou faces, até então, desconhecidas da maioria e deixa a amarga impressão que não chegou para agregar. Como se explicaria uma relação ainda tão recente e de tal importância para todos os envolvidos entre olheiro e técnico chegar a tal ponto de erosão e comprometer todo um mecanismo corporativo dentro de clube e esportivo no gramado? Pelo jeito, será Michael Zorc que irá, como prescreve um ditado popular daqui, tirar as castanhas do fogo.

SHENZHEN, CHINA - JULY 27: Thomas Tuchel, head coach of Dortmund looks on during a press conference for 2016 International Champions Cup match between Manchester City and Borussia Dortmund at Shenzhen Universiade Stadium on July 27, 2016 in Shenzhen, China. (Photo by Lintao Zhang/Getty Images)
(Foto: Getty Images)

*De Berlim, em colaboração para o Esporte Interativo

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