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Futebol e religião como você nunca viu! O ritual do 4 de maio do Torino

Melhor Futebol do Mundo POR Tato Rodrigues
Torcida do Torino se concentra em peso em frente a Basílica de Superga para homenagear.
Torcida do Torino se concentra em peso em frente a Basílica de Superga para homenagear.

Texto do dia 4 de maio de 2014

Por Tato Rodrigues

Direto de Torino – O dia 4 de maio costuma ser um dia de luto para o torcedor do Torino. Todos os anos desde 1949, os tifosi (torcedores) granata lamentam e homenageiam os 18 jogadores mortos na conhecida Tragédia de Superga. Relatos do final da década de 40 contam que por conta do mau tempo o avião que trazia a talentosíssima squadra do Toro de volta à Itália colidiu com a Basílica de Superga. Dos 18 jogadores, dez faziam parte da Seleção Italiana que chegaria como favorita ao Mundial do Brasil de 50… Além dos atletas, jornalistas, um padre e membros da comissão técnica morreram no ato da queda do aéreo. Agora imagina se esse dia de luto coincide com o Tricampeonato do seu maior rival, a Juventus?

Dura realidade, porém isso não é um problema para os torcedores granatas. Não mesmo. Apesar do título da Juve por conta da impensada derrota da Roma para o lanterna Catania, o Toro enfrentou o Chievo Verona fora de casa e venceu por 1 a 0. O sonho de retornar à uma competição europeia continua. Um sinal de que o dia seria festivo e não de um luto fúnebre. Após a partida, os torcedores começaram a se dirigir à Superga. Já os jogadores que sempre participam dessa fantástica mistura de futebol com religião voltavam do jogo fora de casa para participar da missa em homenagem ao “Il Grande Toro”, que seria realizada às 20h e completava neste domingo 65 anos. Normalmente essa missa é realizada às 17h:49 minutos – 17h horário do acidente e 49 minutos em referência ao ano da tragédia.

Torcida do Toro se concentra a estação de Trem para subir à Superga. Foto: Otavio Rodrigues.

Cheguei ao local onde se pega o trem um pouco depois das 19h. Esse trem em dias comuns só sai de uma em uma hora, mas devido a alta demanda de torcedores (milhares e milhares) o sistema de transporte da cidade aumentou a quantidade de vezes em relação ao espaço de uma hora. Entretanto, nada disso foi suficiente. Ingressos esgotados e quem quisesse comprar depois disso perderia a missa, e todas as homenagens dentro e em volta da Basílica. Trânsito incomum em volta da região do trem e inúmeras pessoas que não paravam de chegar. Ônibus que levavam torcedores ao cume da montanha já chegavam próximo a estação de trem lotados. A única saída era encarar 5km de uma subida íngreme. Uma marcha peregrina ao lado dos fiéis torcedores granatas.

Torcida do Toro se concentra em massa na estação de trem para subir à Superga. Foto: Otavio Rodrigues

Ônibus também lotado. O jeito é subir a pé os 5km. Foto: Otavio Rodrigues.

Uma hora de uma cansativa mais proveitosa caminhada pelas vistas proporcionadas e, por fim, chegar à Superga. Por do sol, clima de festa em um mar de grená e uma missa em respeito aos lendários Bacigalupo, Aldo e Dino Ballarin, Bongiorni, Castigliano, Fadini, Gabetto, Grava, Grezar, Loik, Maroso, Martelli, Mazzola, Menti, Operto, Ossola, Rigamonti e Schubert. Um dos melhores times de todos os tempos, como bem me contou o senhor Armando, de 79 anos, que tinha apenas 14 anos no ano da tragédia. O grande destaque desse super time era o camisa 10 Valentino Mazzola. O craque é considerado um dos maiores de todos os tempos da história do futebol e é reconhecido como um dos primeiros jogadores modernos do Calcio. Podia chutar, armar, desarmar…

A caminho da Basílica de Superga uma vista da cidade de Torino. Foto: Otavio Rodrigues.A caminho da Basílica de Superga uma vista da cidade de Torino. Foto: Otavio Rodrigues.
Il Grande Toro que padeceu na Tragedia de Superga (1949). Foto: Reprodução Internet.

“Por que vem todos os anos aqui?”, perguntei a senhora Monica Moretti. A resposta foi simples.

“Il Grande Toro. Uma forma de respeito pelo que este time fez por nós. Venho todos os anos por isso”, explicou Monica. Depois de um sorriso, disse que precisava procurar sua filha no mar de grená que estava dentro da Basílica de Superga.

A onda de torcedores do Toro acompanham a missa em homenagem a grande squadra de 1949. Foto: Otavio Rodrigues.

Após a missa, os jogadores, que acompanharam mais a cerimônia do que eu – pois passaram à minha frente em um ônibus e já haviam sido recepcionados pelos torcedores do Toro – foram mais uma vez exaltados. Como de costume, o capitão, neste caso o polonês Kamil Glik, prestou uma homenagem em frente a lápide dedicada aos heróis que venciam de tudo na década de 40. Cinco campeonatos italianos consecutivos (além de uma Copa da Itália). Hegemonia absoluta entre 1942 a 1949. (O Campeonato da temporada 1943/44 foi interrompido no meio por causa da Segunda Guerra Mundial).

Torcedores, jogadores, dirigentes… Todos homenageiam Il Grande Toro na lápide dedicada à squadra. Foto: Torino FC

Para completar o ritual, o clima, que não era de luto, mas sim de festa! (sem esquecer o respeito e admiração aos heróis do passado). Voltar no ônibus apertado com torcedores de todas as idades foi simplesmente fora de série. 5km de cânticos entoados no Stadio Olímpico de Torino sem tempo para descansar ladeira abaixo. Todos espremidos, mas comemorando como se neste 4 de maio houvessem ganho o Scudetto, que, de fato, foi mais uma vez da Juventus. Veja!

Se os feitos do Grande Toro já não se repetem há muito tempo para o Torino, os torcedores pelo menos todos os anos comemoram como um verdadeiro título o que 18 jogadores fizeram por eles longos anos atrás.

Nesta segunda-feira estarei direto do Juventus Stadium para acompanhar a entrega do Scudetto da Juventus no Campeonato Italiano! É o 32º na conta do torcedor o 30º de maneira oficial por conta do Calciopoli! Não quer perder nada do Diário de Torino? Me segue aqui no Twitter: @TatoRodrigues_


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