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Neymar sobre virada histórica: 'Fizemos uma vez e podemos fazer a segunda'

Antes do duelo de quarta-feira contra a Juventus, craque do Barcelona conversou com exclusividade com André Henning, Zico e Mauro Beting

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(Foto: Reprodução/Esporte Interativo)

Antes da partida do Barcelona na volta das quartas de final da Liga dos Campeões, contra Juventus, na quarta-feira (19), que você assiste ao vivo no EI MAXX às 15h, o craque Neymar conversou com exclusividade com os canais Esporte Interativo. Após o treinamento no CT do clube, o camisa 11 blaugrana bateu um papo descontraído com André Henning, Zico e Mauro Beting. Além do jogo da volta do Barça contra a Juve, Neymar falou sobre Messi, Gabriel Jesus, Dybala, Seleção Brasileira, Tite, Dunga, Santos, Flamengo, Chapecoense, entre outros assuntos. Confira a entrevista na íntegra:

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Partida da volta contra a Juventus

É muito difícil, né? Todos os jogos são difíceis. Ainda mais quando é um placar largo assim. Mas o meu pai comentou outro dia, uma coisa que ficou na minha cabeça, que é verdade. Pode ser outro time diferente, mas o Barcelona é o mesmo. Nós podemos fazer isso. Fizemos uma vez e podemos fazer a segunda. Basta querer, se entregar e se doar. Se der tudo certo, mais uma remontada (virada) acontecerá. A Juventus é uma equipe muito difícil, muito bem estruturada. Mas o que você (Zico) falou, é difícil correr atrás do prejuízo, você tem que correr dobrado. O esforço é sempre muito maior. Mas eu acredito muito na nossa equipe e no nosso potencial. Bom, já está praticamente tudo perdido, então a gente não tem mais nada a perder, e sim, a ganhar. Então é só entrar em campo e fazer o trabalho direitinho. A porcentagem é igual. Acho que é a mesma coisa. Se a gente tem 1% de chance de passar, se tem mais um jogo, é 99% correndo, 99% de fé e, se Deus quiser, 99% dos gols vão entrar.

Gols contra o Paris Saint-Germain

No quarto (gol) sim. Tinha a esperança de mais um golzinho para dar aquele sabor de “pô, quase conseguimos”. E logo depois de alguns minutos saiu o pênalti. Eu só lembro na hora que eu peguei a bola para bater o pênalti, na hora em que estava concentrado, eu só escutava alguém falando que só tinha mais cinco minutos de jogo. Aí eu já pensei: “C…, tenho que fazer essa m…, se não eu vou me f…”. O Messi falou: “Vai você”. Eu falei: “Tá bom!”. Eu só pensava: “Tenho que fazer para a gente ter pelo menos uma chance de tentar algo extraordinário”. Logo que eu fiz o gol foi um alívio total, porque colocou a gente no jogo. Já empolgou todo o estádio e todo mundo. E aí aconteceu o gol histórico.

Assistência para o gol histórico de Sergi Roberto

Meu primeiro pensamento não era nem de ser herói, e sim, de chutar. Mas eu vi dois jogadores do Barcelona movimentando, que eram Messi e Piqué. Eu não tinha visto o Sergi Roberto. Tanto que eu jogo ali para os dois. Na hora, pensei que quem tinha feito o gol fosse o Piqué. Depois que eu vi o Sergi Roberto chegando atrás. Pior que no jogo, eu falava para ele (Sergi Roberto): “Entra na área que você vai fazer o gol. Entra na área!”. Porque eu ficava no lugar dele no rebote, porque ele é mais alto. Aí ele entrou e fez o gol.

Cobranças de falta no Barcelona

A vontade de bater eu sempre tenho. Só que existe uma hierarquia. Claro que o respeito é máximo ao Leo (Messi). Sempre quando acontecem as faltas, ele é o batedor oficial. Às vezes, eu me aproximo para, se tiver alguma chance ou oportunidade, estar concentrado para bater. Ele bate e bate muito bem. Eu só torço para a bola entrar.

Ser o melhor do mundo enquanto o Messi estiver jogando

Não penso em ser o melhor do mundo. Não é uma coisa que eu priorizo. Claro que eu tenho um sonho muito grande de um dia ganhar a Bola de Ouro, só que isso vem naturalmente. Não importa (o time) onde eu esteja, com quem esteja, se é com o melhor do time ou não é. E sim o meu estado, o meu presente, o meu jogo dentro do campo. Se eu estiver bem, as coisas vão acontecer. E eu estou me sentindo muito bem aqui no Barcelona. Estou feliz aqui. Todo jogador gosta de jogar ao lado dos bons jogadores, ao lado dos melhores. Aqui eu estou ao lado dos melhores.

Se não fosse o Neymar, quem você gostaria de ser?

Gostaria de ser muitos. Tem um ao meu lado aqui (Zico). Eu não vi, mas meu pai viu. Eu também vi vídeos dele (risos). Eu gosto muito do Messi. Dos que eu vi jogar, foi o melhor.

Nova geração de craques

Gosto muito do Griezmann, um excelente jogador. Gabriel Jesus, apesar da idade. Tenho um carinho muito grande por ele, sou muito fã de como ele joga. Jogamos as Olimpíadas juntos, na Seleção também. É um menino de muito potencial. Acho que esse é o que vai chegar aí perto de todo mundo. E o Dybala é o famoso canhoto argentino. Se deixar ele sozinho, ele vai guardar. Na quarta-feira, a gente não pode dar espaço. Como eles (Juventus) não fazem com a gente, eles não dão espaço pra gente. A mesma coisa.

O Luis Enrique dá bronca se o time der chutão?

Não… Acho que é do jogo. É mais o timing, o feeling do jogador. Tem que sentir, se ver que não está acontecendo do jeito que a gente quer, tem que mudar. Aquela mudança de pressão. Se estão nos pressionando, dá um “bicão”. Não é feio não. É bola pro mato que o jogo é de campeonato. É bola pra frente e vamos pressionar lá. Mas é a filosofia daqui, sempre foi. De sair jogando, de buscar o passe, de buscar jogar o futebol. Só que estão nos pressionando e a gente tem que, realmente, buscar outra saída.

Suposta bronca de 20 minutos que Luis Enrique deu em Neymar, Mascherano e Piqué

Foram cinco, só (risos). Não, brincadeira. Não teve uma bronca para cada jogador. Foi pela equipe mesmo. Fizemos um jogo ruim, toda a equipe. Todo mundo tomou dura. Não foi só um jogador. Não foi direcionado a ninguém.

Final da Champions de 2015

Sonhar, eu sonhei. Claro que eu imaginei. Mas, às vezes, na nossa vida, acontecem coisas melhores do que você imagina. Fechou com chave de ouro o jogo, o campeonato. Foi um dos melhores momentos da minha vida. Onde eu explodi, fui ali onde estava minha família e meus amigos. Acho que foi tudo maravilhoso sim.

Buffon é o melhor goleiro que você já enfrentou?

Acho que sim. Acho que Buffon é o melhor que eu já enfrentei. Tenho um gol contra ele. Não só um, fiz outro no Brasil (na Copa das Confederações de 2013).

Champions 2015, Libertadores 2011 ou Olimpíadas 2016?

No Maracanã. O pênalti (decisivo da final das Olimpíadas de 2016). A caminhada para a bola é… Meu Deus do céu. É a pior coisa da vida. Tinha que ser mais perto. Tinha que ser mais pertinho. Já pega a bola e posiciona e tá bom. É horrível. É muito longe. A caminhada… Olhar o gol muito pequeno e o goleiro… Meu Deus do céu. E eu falava: “Onde eu vou chutar essa bola?”. Aí eu peguei a bola, posicionei, tudo de cabeça baixa. Daqui a pouco eu olhei e vi o gol muito grande e o goleiro muito pequeno. Foi sobrenatural. Falei assim: “Caramba!”. Aí me relaxou. Pensei: “Tu tá preparado pra isso, treinou pra isso”. Aí foi onde eu tive a calma, relaxei e consegui deslocar o goleiro. Não foi normal, porque nunca teve um pênalti desse. Sempre foi alguma coisa mais rápida de jogo, mais normal. Mas, naquele momento, aconteceu isso.

Você considera o Brasil um dos favoritos para a Copa do Mundo?

Eu considero. O Brasil sempre foi favorito em qualquer competição que entra, pelo nível de jogadores que tem. E a gente, ao longo dos anos, de todos os anos que eu estou na Seleção, sempre teve bons jogadores e um bom elenco. Só que a gente não conseguia buscar uma identidade, uma forma de jogar, uma filosofia brasileira. E agora, a gente conseguiu. Conseguimos nos encaixar. Apesar de ter algumas rotações, você vê que não muda o esquema, o jeito de jogar. É sempre a mesma coisa. Então, acho que o Tite conseguiu impor isso na Seleção.

Por que a Seleção mudou tanto do Dunga para o Tite?

Eu não sei. Eu não acho o Dunga ruim como treinador. Muito pelo contrário, eu tenho muito orgulho de ter trabalhado com ele. Uma grande pessoa, sempre foi muito bom comigo. Não sei também, o que aconteceu do Tite ter mudado isso tudo. Acho que é mérito dele Tite, de colocar a confiança em cada jogador, em cada setor. De treinar bastante. Acho que é algo diferente sim. Tem algo diferente que atrai a atenção dos jogadores, e o jogador passa a estar mais focado.

O Tite está em um nível para ser técnico do Barcelona?

Eu acho que ele (Tite) tá no nível para ser técnico de onde ele quiser. Acho que indicaria (Tite para o Barcelona) sim.

Quem vai ser o próximo técnico do Barcelona?

Não sei, ninguém sabe ainda. Simeone é um grande treinador. Acho que, para grandes treinadores, não importa a equipe que ele vá.

Tite na Seleção Brasileira

O Tite passa uma grande confiança para os jogadores. Ele trata todo mundo igual. Não tem nenhum titular, não tem nenhum reserva. Trata todo mundo igual. Não tem treino do time titular e do time reserva. Ele faz a segunda equipe treinar da mesma forma que a primeira. Porque tem momento que vai precisar. Durante o jogo ou quando alguém tá suspenso.

100% de aproveitamento da Seleção

Ninguém esperava. A gente não esperava, mas confiava muito na nossa equipe, porque é uma equipe de muita qualidade. A gente sabia que, se encaixasse, seria difícil parar a Seleção Brasileira. Graças a Deus deu tudo certo. Espero que a gente continue invicto por muitos anos (risos).

Ser “o cara”

Às vezes sim, às vezes não. Eu não gosto de meu sentir assim (“o cara”). Eu sei do meu potencial, sei do que eu posso render para a Seleção Brasileira, e que eu sou praticamente “o cara” da Seleção. Mas eu não gosto de me colocar nesta situação. Acho que é ruim. Faz diferença, quando se tem jogadores de qualidade e são os craques da equipe. Você vê pela torcida, de gritar nome e de quando você entra em campo. Eu sinto isso. No Santos eu sentia bastante isso, porque também era praticamente igual. E no Barcelona também. Então eu me sinto “o cara”, vai (risos).

Contra quem você quer jogar a final da Copa do Mundo de 2018?

Contra quem eu quero? Eu quero estar na final, não sei contra quem. Deixa eu ver uma seleção… Alemanha! Tá (entalada)! Mas a gente vai jogar contra eles agora, né? Não importa (que é amistoso), tem que ganhar! Não quero nem pegar a Argentina. Deixa a Alemanha e a Argentina na semifinal e tá tudo certo.

Cobranças exageradas e tragédia da Chapecoense

Não é nem questão de tirar uma folga de mídias sociais. Acho que, tentam, não sei de que maneira, (me) atingir. Essas cobranças… É ruim falar de tragédia (acidente da Chapecoense). É muito fácil você chegar e falar “meus sentimentos”, para uma coisa dessas. Se põe no lugar das famílias e dos filhos. O filho do Cléber Santana e o filho do Kempes me mandaram e mensagem, e eu mandei vídeo para eles. Até mesmo antes de postar alguma coisa. Só que aí ninguém fala também. Ninguém sabe o que está acontecendo. Então eu não gosto de, numa tragédia, chegar e falar. Porque eu me coloco no lugar da pessoa. “Meus sentimentos? Beleza, obrigado”. Mas eu me coloco no lugar. É complicado você estar nessa situação.

Polêmica com o Santos

Quanto ao Santos, tenho um carinho enorme, minha família toda é santista. Só que também tem o lado ruim. O Santos entrou na Justiça contra a gente, por algo que eu não entendo até hoje. Falaram que só faltou eu fazer gol contra (na final do Mundial) contra o Barcelona. Então, são detalhes que ninguém sabe. Que começam a me cobrar. É complicado. Então ninguém sabe dessas histórias. Só sabe do que vê por fora. Acho que eu não tenho obrigação nenhuma de dar parabéns ao Santos. E sim, eu sou grato por tudo que fizeram por mim. Amei jogar num clube como o Santos, pelo meu pai, pelo meu avô, por toda minha família que é santista. Eu acabei virando santista. Só que eu não sou obrigado a fazer o que todo mundo quer. Não sei se eu me vejo jogando de novo com a camisa do Santos. Não é uma coisa que eu penso.

Jogar no Flamengo

Eu tenho muita vontade de jogar no Flamengo. Maracanã lotado, Libertadores (risos).

Futebol ou Counter-Strike?

Eu tô melhor, eu tô subindo de nível no CS. Mas minha praia é o futebol.

Expulsão contra o Málaga

Foi um erro meu. Não digo pelo cartão vermelho, o segundo. Porque foi uma jogada muito rápida, e acabei indo com muita força. Ali era cartão. Errei depois. Depois foi um erro, mas agora eu consigo raciocinar. Ali, no momento, não. Eu tomei um cartão porque eu vou amarrar a chuteira, perdendo o jogo com 15 minutos.

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