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Uma das melhores rodadas do Borussia Dortmund

Fátima Lacerda, diretamente de Berlim, exclusivo para o Esporte Interativo 

 

A rodada de ida da atual temporada (2018-19) do Campeonato Alemão de Futebol foi uma das melhores do Borussia Dortmund, o time galopava para a conquista do campeonato da Bundesliga.


Depois da saída de Jurgen Klopp, treinador que quase levou o clube à conquista da Liga dos Campeões em 2012, o time de Dortmund passou por uma verdadeira Via Crucis: os perrengues do ex-técnico Thomas Tuchel, hoje no PSG, com a diretoria do clube e com a indisciplina de alguns jogadores (Aubameyang e Dembelé, por exemplo), o atentado ao ônibus em 2017, a chegada do treinador holandês Peter Bosz e, na sequência, com o técnico austríaco, Peter Stoeger, se dá o ápice da sofrência. Agora era a hora de ser feliz de novo.

A rodada de ida da temporada mostrou um Marco Reus na melhor condição física de sua conturbada carreira. Alex Witsel estava querendo comer a grama e Paco Alcácer, o coringa já estava disputando com Marco Reus o maior número de gols marcados. Por tal invejável estatística e tantos outros motivos, resultantes da dinâmica recente dos acontecimentos futebolísticos, especificamente desde o jogo com o Hoffenheim no dia 09 de fevereiro., uma pergunta não quer calar: Por que o técnico não coloca o Paco Alcácer desde o início? Isso daria uma dinâmica ágil ao time desde o primeiro minuto, além de integrá-lo, fazê-lo carta certa no time para galgar voos mais altos, como a Liga dos Campeões.

Rodada de volta e o carrossel futebolístico

O período de “Campeão do Inverno” havia acabado e todos comentavam que a condição física e mental do time seria testada na rodada de volta. Vinha chumbo grosso pelo caminho. As mazelas técnicas e táticas junto à falta de sorte começaram no jogo contra o Hoffenheim com o placar final de 3 a 3, exibindo buracos na defesa. O goleiro Bürki vem fazendo uma excelente campanha, mas não é um Manuel Neuer quando está no top de sua condição física. No início de fevereiro, o Borussia começou a deixar os pontos pelo caminho, possibilitando ao Bayern diminuir a diferença na tabela que já foi de 9 pontos, algo inusitado e que os torcedores do Borussia celebravam todos os dias nas redes sociais e no final dos jogos, cantando: “O campeão será o Borussia. O Borussia será o campeão“. Depois do jogo contra o outro Borussia, o Möchengladbach, esse grito ficou entalado na garganta como um suco de laranja estragado e a reação dos torcedores nas redes oscilava entre frustração, raiva e juras de não mais assistir um jogo sequer do clube.

Perdeu?

Um sofrido empate de 3 a 3 contra o Hoffenheim, um 0 a 0 contra o Nuremberg e um empate mais do que sofrido contra o Bayer Leverkusen, do qual o treinador é o holandês Peter Bosz, ex-BVB diminuiu, radicalmente, a diferença para o Bayern em uma fase em que seu técnico, Niko Kovac, chama de “Reset”.

Três jogos levando somente um ponto para casa em forma de um rélis empate, não combina com a mentalidade de um time que já estava sendo coroado próximo campeão, um anseio esperado desde as últimas conquistas em 2011 e 2012.

A Pokal

A derrota para o Werder Bremen no início de fevereiro, valendo a fase da Copa da Alemanha (DFB Pokal) tirou o BVB do prestigioso torneio que é sempre coroado com uma Final no Estádio Olímpico em Berlim, já mostrava a falta de garra.

O ápice da falta de determinação e foco da jovem equipe, para citar alguns, se mostrou no jogo contra o Ausburg, time de uma cidadezinha no sul do país e que está se debatendo para não escorregar para a zona de rebaixamento, atualmente no décimo quinto lugar com 21 pontos. Exatamente esse time entrou em campo ciente do que estava em jogo. Dong Won Ji, coreano que já foi atacante do Borussia, fez o jogo de sua vida marcando os dois gols. Vingança é mesmo um prato que se come frio, quando e de onde o adversário menos espera. No final desse jogo, o BVB contabilizava a sua segunda derrota na temporada. E ela é também a mais dolorosa.

A teimosia de Favre

Ao contrário de treinadores extrovertidos e que fazem discurso na cabine antes do jogo, discursos esses que podem ser ouvidos ao longo dos corredores do estádio, como faz o técnico do Hertha Berlin, o húngaro Pál Dárdai, o técnico do Borussia Dortmund pode ser rotulado como um Woody Allen do mundo futebolístico. Ao invés de ficar compulsivamente e meticulosamente arrumando as meias na cômoda, Favre fica horas imbuído e mentalmente ausente, procurando o melhor esquema tático. O que falta ao ex-treinador do Zurique, Hertha Berlin, Borussia Möchengladbach e do Nice é a capacidade de se comunicar com os jornalistas e provavelmente também com os jogadores. Como já ensinava o Velho Guerreio, Chacrinha, quem não se comunica…

Enquanto os resultados eram favoráveis e o Borussia fazia a entrega dos 3 pontos nos finais de semana, a retórica econômica de Favre não irritava. Depois dos pontos deixados pelo caminho, a coisa vai mudando de figura e seu domínio rústico da língua alemã se mostra, cada vez mais, uma pedra no caminho. A feição de Watzke, CEO do clube, na tribuna de honra no Estádio do Augsburg depois do final do jogo, falava enciclopédias: O Borussia Dortmund caiu de quatro com a determinação do time anfitrião.

A imprensa alemã é uma das mais avessas a conflitos e a perguntas do Advogado do Diabo, mas o BVB está descendo a ladeira na banguela e nesse fim de semana, o Bayern recuperou os então 9 pontos de diferença e soma, igualmente ao aurinegro, 54 pontos no ápice da tabela. A única vantagem que ainda sobrou é que o Borussia soma dois gols a mais do que o time bávaro e isso se deve à longa ausência de Thomas Müller no Bayern e não havia ninguém certeiro como ele para que a bola chegasse aos pés de Lewandowski. Mas o milho acabou. A pipoca também.

O próximo desafio já bate na porta na próxima terça-feira em jogo de volta com o Tottenham pela Liga dos Campeões. Se o Deus do Futebol for especialmente solícito com o time aurinegro, serão preciso dois “Milagres de Malta” para que o time de Marco Reus permaneça na Liga dos Campeões.

Depois do jogo na sexta-feira (01), a consternação expressa no semblante de Favre oferece motivo suficiente para supor que ele não está preparado para uma tempestade que só acaba de começar. Mais um jogo perdido pela Bundesliga e o questionamento de “Favre é o treinador certo” não demora.

A teimosia em manter o time inalterado no início do segundo tempo, mesmo com o placar de 1 a 0 para o anfitrião exigisse atitude, Favre deixou Reus voltar ao campo para quebrar no ritmo do jogo 15 minutos depois para tirar Reus e colocar o camisa 9, Paco Alcácer, o coringa. A estatística mostra que Paco soma 13 gols, sendo que 8 deles foram marcados logo depois de sair do banco de reserva. Entrou em campo e marcou. Simples assim. Por isso se mostrar estarrecedora a postura de Favre em desperdiçar tão precioso tempo. Para o final do segundo tempo o Borussia se mostrava mais dominante em campo e nos 4 minutos de prorrogação via-se o desespero do time que correu 11 km menos do que o adversário. Vimos Achraf perdendo a cabeça e arrumando barraco com o juiz e o segundo gol do Augsburg sendo marcado minutos depois da saída de Reus. Não é preciso ter bola de cristal em casa para saber do papel-chave que ele tem no time, muito além dos quesitos técnica e tática. Reus é um líder por natureza, é capitão, é campeão do mundo e muito experiente. Na rodada de ida, ele mostrara sua melhor forma física dos últimos tempos, mas isso, também mudou.