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Hertha Berlim x Borussia Dortmund a filosofia do futebol de Lucien Favre

Com sua filosofia de futebol o técnico pode arriscar a conquista do campeonato.

Fátima Lacerda, diretamente de Berlim, exclusivo para o EI

No fim da tarde de sábado (16)m o jogo entre os dois clubes que não poderiam ser mais antagônicos (em suas características, percepções de formas de jogar) ofereceram aos torcedores, no Estádio Olímpico de Berlim, um espetáculo de suspense só para quem tem nervos de aço.

Nos primeiros minutos, o BVB parecia que se mostrava como se estivesse no treino, de boa, descolado, sem a gana necessária desde o primeiro minuto. Vale lembrar que o time aurinegro já pôde ostentar 9 pontos de distância para o FC Bayern na tabela, mas isso são águas passadas. Nesse meio tempo e com um começo de rodada de volta bem atropelado (vide jogo contra o Augsburg), o time foi deixando valiosos pontos pelo meio do caminho contabilizando, quando muito, 1 ponto miúdo aqui, outro ali e ainda se deu ao luxo de perder para o Augsburg, despencando no finalzinho da tabela. Mas como diz a sabedoria popular: Nada como um dia atrás do outro.

O Deus do Futebol ou talvez algo bem mais mundano do que isso, queria que o jogo contra o Hertha com o estádio lotado com 74.667 torcedores fosse um dos de maior suspense da Liga. Além disso, nessa partida o BVB voltou da mediocridade, conseguiu mostrar que ainda é possível sair vencedor do campeonato da atual temporada. O acordar, o chacoalhar é tardio, mas talvez não seja tardio demais. Um jogo com 5 gols e com suspense para Hitchcock nenhum botar defeito, premiou a garra do time aurinegro, mesmo depois de chutes que foram parar do lado de fora da rede e na trave, como por exemplo o chute de Delaney nos 88 minutos. A equipe do Hertha Berlim foi melhor no primeiro tempo, marcando o primeiro gol de Kalou (camisa 8) logo nos primeiros 4. minutos , o que serviu para dar uma chacoalhada no time de Dortmund. O medo do time se deixar abater, como em tantos jogos anteriores da rodada de volta, não se alastrou por muito tempo. 

Nos últimos jogos dessa temporada, o Dortmund vem mostrando duas constantes: O espanhol Paco Alcacer marca logo depois de sair do banco de reserva e o time vem mostrando garra e robustez mental para marcar, mesmo estando na posição de desvantagem no placar, consegue virar o jogo, característica como essas podem decidir um campeonato.

A capacidade da jovem equipe do Borussia em tirar capital da explusão de dois jogadores do Hertha Berlim foi surpreendente, instigante, bem-vinda, comparando com os últimos jogos contra o Augsburg e o Stuttgart, todos os dois localizados na rebarba da tabela e nos quais o Borussia acabou nivelando por baixo. Dos itens positivos do último jogo e que permitem nutrir esperança do time conquistar o campeonato da Bundesliga tem também o fato de que, a vitória foi possível, mesmo sem Paco Alcacer, Mario Götze, Lukasz Piszczek e do fenomenal Axel Witsel. A lista de lesionados é longa, mas não será eterna. Esse quadro de saber virar o jogo, segura a barra quando o placar é negativo, é inusitado. Marco Reus, que marcou o terceiro gol nos últimos minutos da prorrogação foi alívio de um grito entalado durante semanas na garganta. Marco Reus ainda não está no top de sua forma física, mas é um jogador-chave para os aurineros: Como motivador, maestro com muita credibilidade é o capitão da equipe que joga o futebol mais atrativo da Liga. Para ratificar que o jogo não foi para quem tem nervos fracos, quase saiu pauleira. Até o ex-capitão Marcel Schmelzer perdeu a cabeça à beira do campo e acabou recebendo cartão amarelo. Teve bola do jogador do Hertha jogada na cabeça do goleiro Bürki (BVB) que foi quitada pelo juiz (Tobias Welz) com o cartão vermelho para Joker Ibisevic no segundo minuto da prorrogação de ao todo 6. No final do jogo, o time de Berlim tinha somente 9 jogadores e o gol de Marco Reus foi a melhor prova de usufruto dessa desvantagem, o que exibe robustez mental e garra do time de Dortmund que, com esse jogo que pode sem qualquer exagero ser denominado como o de maios suspense e eletricidade da temporada de volta, que voltou à trilha pela busca do campeonato, que a torcida tanto anseia. No trem de volta do Estádio Olímpico para o centro da cidade, vários torcedores, com a inseparável garrafa de cerveja entoavam cantos, arrematando com a trilha sonora, a dramaturgia de uma tarde memorável. “Quem será o campeão alemão? BVB Borussia! Quem será o campeão alemão? Borussia, BVB!

O frio e a chuva, quase durante todo o jogo, desafiava os jornalistas na tribuna de imprensa do estádio `a céu aberto, mas quem aguentou até o final, não se arrependeu.

Coletiva de Imprensa e a premissa do menos é mais

Depois do final do jogo, uma parte minúscula da imprensa desce para a sala de imprensa para um comentário curtíssimos dos dois técnicos, que analisam o jogo de suas equipes. Eu fui a primeira a perguntar e me dirigi ao técnico do Borussia, alegando que o time voltara a mostrar forca mental e garra depois brilhar pela falta dela e indaguei sobre a preparação para O DUELO com o FC Bayern no próximo dia 06/04. Desconversando e colocando panos quentes, Lucien Favre, respondeu: “Nós tempos uma filosofia de focar no próximo jogo”. Pode ser estratégia, mas essa resposta pode também significar que ele, realmente, focva mais na filosofia do futebol e como ele mesmo alegou: “Erros acontecem” e embarca na mesma cartilha e na mesma onda de Jürgen Klingsmann, o técnico da Nationalelf na Copa de 2006 de que “é preciso ficar melhor cada dia”. Se na reta final do campeonato ainda há tempo para essas questões filosófico-pedagógicas, é bem questionável. Isso pode ser um erro fatal que venha a custar a conquista do campeonato.